REVISTA TRIPLOV
de Artes, Religiões e Ciências

ISSN 2182-147X
NOVA SÉRIE

 

 

 

 


 

 

EDUARDO AROSO

Três poemas de surrealeza

I

Muito além da cozinha

E do quintal do reino,

Grita Inês

A pleno peito

(Mas meiga, tão meiga e doce

Que tem ao colo uma gatinha real).

D. Pedro que anda à caça

Responde de longe no seu jeito:

- Sei que um dia serás rainha!

II

Sou da primeira dinastia

Mas têm que me gramar

Em todas elas.

Quanto mais não seja

Na memória sangrenta

Da cortesã peleja

Das damas mais belas.

Mas será sempre o meu livro

Que estará exposto na montra.

De repente, sem permissão,

Entra um republicano no paço

E diz: - quem vota a favor ou contra?!

III

Olímpica e esbelta

Inês antevê

Onde está a chave certa

Dos serviços de segurança.

Serena, abre a persiana

Aquieta-se e pergunta:

- Porque matais, vós?

Eu sou vegetariana!

 

 

Eduardo Aroso . 3-2-2015

 

Eduardo Aroso nasceu em 1952, em Coimbra. Professor de Educação Musical, em cuja actividade se reparte pela didáctica da música e da composição, tendo feito, durante alguns anos, formação de professores do 1º ciclo do ensino básico. Foi regente do Coro de Professores de Coimbra e co-fundador da Academia Monteverdi e da Tertúlia do Fado de Coimbra.

Na sua actividade literária contam-se as publicações: A Poesia vai à Escola (obra adquirida pela Fundação Calouste Gulbenkian), Poemas do Arquétipo, O Olhar da Serra, Habitante Sensível, A Quinta Nau e A Guitarra Portuguesa – Aproximações Histórico-Musicais à sua Génese e Fixação em Portugal (ensaio). Incluído em: Antologia Ibero-Americana de Homenagem a Rosalía de Castro, Antologia da Bienal de Poesia de Madrid (25 nações), Homenagem a Gerardo Diego, Homenagem a Claudio Rodríguez, Álamo (Salamanca 2002 – Ciudad Europea de la Cultura) e A Jeito de Homenagem a Eugénio de Andrade (antologia incluindo mais de 200 poetas do mundo hispânico). Colaborações: Revista de Poesia Álamo (Salamanca), EL Pregonero (Madrid), S. Paulo Destaque (S. Paulo), Artes & Artes (Lisboa), Teoremas de Filosofa (Porto). Co-fundador do Gresfoz - Grupo de Estudos Figueira da Foz – 1983, Co-subscritor para a Fundação da Academia Ibero-Americana de Letras (Madrid); 1987.

Na esfera da filosofia e do pensamento português, reconhece na chamada Escola Portuense, e nos diversos círculos de discípulos ao longo do tempo, a via para uma autêntica Tradição Portuguesa que é a de ser universal. De Agostinho da Silva - com quem partilhou um intenso convívio epistolar - à companhia actual dos pensadores António Telmo, Pinharanda Gomes, Carlos Aurélio, Joaquim Domingues, até às gerações mais novas, onde se destaca Pedro Sinde, vem participando em vários encontros e publicações. Cultiva o autodidactismo como a mais salutar actividade quotidiana.

 
 

 




 



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