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Nova Série

 







Maria Estela Guedes

A Spathodea de Carlos Alberto Filgueiras

Na minha recente viagem a Minas Gerais, com Ana Luísa Janeira, ficámos três dias em casa de um comum amigo, colaborador do TriploV, o químico e professor universitário Carlos Alberto Filgueiras. Guiadas por ele, vimos muita coisa bela nos arredores de Belo Horizonte, sobretudo Inhotim, a que darei atenção noutro local, e o teatro que o seu irmão, Rodney Filgueiras, construiu em casa, e que tem sido espaço para concertos. Também espero poder mostrá-lo. Podia falar do Retiro das Pedras, condomínio na Mata Atlântica, em que ambos têm residência, podia falar de Belo Horizonte, uma grande cidade em altura, capital de Minas, mas o que neste momento me ocupa é um pormenor, uma conversa casual com Carlos Alberto, digna de ser conhecida e de que pensemos nela.

C.A. Filgueiras está a reformar a sua casa do Retiro das Pedras, no Brumadinho. Vai acrescentar-lhe o sonho da sua vida: uma sala, salvo erro de 14 por 14 metros, para biblioteca. No jardim cortou uma fiada de Pinus - é assim que designam o pinheiro, pelo nome científico do género, simultaneamente vocábulo do nosso português medieval, presente por exemplo na conhecida cantiga de amigo, atribuída a el-rei D. Dinis: "Ay flores, ay flores do verde pino!" - mas não cortou uma Spathodea que levantou muitos problemas:

- As raízes levantaram as lajes, é preciso refazer todo o piso! - lamentou-se.

- E não seria mais fácil cortar a Spathodea? - inquiri, surpreendida.

- Ah, não, é uma bela Spathodea e além disso tem lá dois ninhos de João-de-barro!

Eis uma história exemplar, espero que os meus conterrâneos portugueses a apreciem em toda a sua dimensão afetiva.

Entrada para a casa que C.A. Filgueiras está a reformar, com a Spathodea à entrada

Canela-de-ema, Vellozia squamata Pohl, espécie muito comum no Retiro das Pedras

Ana Luísa Janeira dirige-se para a capela do Retiro das Pedras, ao fundo, em arquitetura moderna

Atrás de Carlos Alberto Filgueiras, os montes brumosos do Brumadinho, numa imagem bem diversa do Brasil de sol e praia.

Um dos ninhos de João-do-barro (Furnarius rufus), na Spathodea
à entrada da casa de C.A. Filgueiras

 



Dois João-de-barro no ninho. Constroem-no com barro e eles mesmos têm plumagem de cor argilosa. Explicou C.A. Filgueiras que dá sorte tê-los em casa.

Imagem da Wikipédia:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o-de-barro

 

Maria Estela Guedes (1947, Britiande / Portugal). Diretora do Triplov

Membro da Associação Portuguesa de Escritores, do Centro Interdisciplinar da Universidade de Lisboa e do Instituto São Tomás de Aquino. Directora do TriploV.

LIVROS

“Herberto Helder, Poeta Obscuro”. Moraes Editores, Lisboa, 1979;  “SO2” . Guimarães Editores, Lisboa, 1980; “Eco, Pedras Rolantes”, Ler Editora, Lisboa, 1983; “Crime no Museu de Philosophia Natural”, Guimarães Editores, Lisboa, 1984; “Mário de Sá Carneiro”. Editorial Presença, Lisboa, 1985; “O Lagarto do Âmbar”. Rolim Editora, Lisboa, 1987; “Ernesto de Sousa – Itinerário dos Itinerários”. Galeria Almada Negreiros, Lisboa, 1987 (colaboração e co-organização); “À Sombra de Orpheu”. Guimarães Editores e Associação Portuguesa de Escritores, Lisboa, 1990; “Prof. G. F. Sacarrão”. Lisboa. Museu Nacional de História Natural-Museu Bocage, 1993; “Carbonários : Operação Salamandra: Chioglossa lusitanica Bocage, 1864”. Em colaboração com Nuno Marques Peiriço. Palmela, Contraponto Editora, 1998; “Lápis de Carvão”. Apenas Livros Editora, Lisboa, 2005; “A_maar_gato”. Lisboa, Editorial Minerva, 2005; “À la Carbonara”. Lisboa, Apenas Livros Lda, 2007. Em co-autoria com J.-C. Cabanel & Silvio Luis Benítez Lopez; “A Boba”. Apenas Livros Editora, Lisboa, 2007; “Tríptico a solo”. São Paulo, Editora Escrituras, 2007; “A poesia na Óptica da Óptica”. Lisboa, Apenas Livros Lda, 2008; “Chão de papel”. Apenas Livros Editora, Lisboa. 2009; “Géisers”. Bembibre, Ed. Incomunidade, 2009; “Quem, às portas de Tebas? – Três artistas modernos portugueses”. Editora Arte-Livros, São Paulo, 2010. "A obra ao rubro de Herberto Helder", São Paulo, Escrituras Editora, 2010.

ALGUNS COLECTIVOS

"Poem'arte - nas margens da poesia". III Bienal de Poesia de Silves, 2008, Câmara Municipal de Silves. Inclui CDRom homónimo, com poemas ditos pelos elementos do grupo Experiment'arte. “O reverso do olhar”, Exposição Internacional de Surrealismo Actual. Coimbra, 2008; “Os dias do amor - Um poema para cada dia do ano”. Parede, Ministério dos Livros Editores, 2009. Entrada sobre a Carbonária (Maçonaria Florestal) no Dicionário Histórico das Ordens e Instituições Afins em Portugal, 2010.

TEATRO

Multimedia “O Lagarto do Âmbar, levado à cena em 1987, no ACARTE, Fundação Calouste Gulbenkian, com direcção de Alberto Lopes e interpretação de João Grosso, Ângela Pinto e Maria José Camecelha, e cenografia de Xana; “A Boba”, levado à cena em 2008 no Teatro Experimental de Cascais, com encenação de Carlos Avilez, cenografia de Fernando Alvarez  e interpretação de Maria Vieira. 

   
   

 

 

 


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