debate sobre o
ACORDO ORTOGRÁFICO
da Língua Portuguesa — 1990
(Nota do TriploV em Abril de 2008: Ainda não foi aprovado)

MARIA ESTELA GUEDES

Amigo/a -

O Acordo Ortográfico não tem por objetivo ensinar-nos a escrever mal a nossa língua. Qual exatamente o seu fim, não estou certa. Como instrumento unificador de grafias, é hesitante e cauteloso em demasia.

Há domínios em que urgia unificar, mas esses não são superficiais como a ortografia, são profundos como os sentimentos. É o caso das fórmulas de tratamento. Estou a escrever este e-mail para brasileiros, portugueses, angolanos, cabo-verdianos, e não sei se falantes de Português (ou português?) de outros países. Como hei de tratá-lo ou tratá-la (a si, a você)? Com brasileiros íntimos, eu trato por tu quem me trata por você. Posso engolir sapos e tratar por você também, mas esse não é o nosso tratamento  familiar. E a seguir? Aos não íntimos? Trato-o, ou trato-a, por Vossa Excelência? Não é a primeira vez que brasileiros me tratam por "vós", fórmula que outrora se reservava aos príncipes.

Enfim, um dia encontraremos maneira de nos tratarmos segundo códigos que não deixem ninguém de respiração suspensa, na suspeita de estar a ser ofendido. Isto para dizer que o Português tem muitos registos, de acordo com as populações que os falam, mas se a unidade pudesse ser alcançada... Ah!, a unidade linguística dá imenso poder! Uma nação grande com muitas línguas é mais frágil do que uma nação pequena com unidade linguística.

Não, o Acordo Ortográfico não vai unificar grande coisa, mas, se permitir a redação de documentos diplomáticos num grafia só, se der poder político ao Português e facilitar a difusão dos nossos livros pelos vários continentes, vale a pena o esforço da mudança. Note, amigo: a língua não é uma coisa sagrada, mas, se fosse, a ortografia era a mais modesta das suas alfaias. E tudo se transforma, até o mais sagrado dos rituais.

Tem as bases do Acordo Ortográfico em linha no TriploV, para se ir habituando às novas grafias.

<estela></guedes>

Lisboa, 15 de abril de 2008, terça-feira

I — DO ALFABETO E DOS NOMES PRÓPRIOS ESTRANGEIROS E SEUS DERIVADOS

II — DO H INICIAL E FINAL

III — DA HOMOFONIA DE CERTOS GRAFEMAS CONSONÂNTICOS

IV — DAS SEQUÊNCIAS CONSONÂNTICAS

V — DAS VOGAIS ÁTONAS

VI — DAS VOGAIS NASAIS

VII — DOS DITONGOS

VIII — DA ACENTUAÇÃO GRÁFICA DAS PALAVRAS OXÍTONAS

IX — DA ACENTUAÇÃO GRÁFICA DAS PALAVRAS PAROXÍTONAS

X — DA ACENTUAÇÃO DAS VOGAIS TÓNICAS/TÔNICAS GRAFADAS — I E U DAS PALAVRAS OXÍTONAS E PAROXÍTONAS

XI — DA ACENTUAÇÃO GRÁFICA DAS PALAVRAS PROPAROXÍTONAS

XII — DO EMPREGO DO ACENTO GRAVE

XIII — DA SUPRESSÃO DOS ACENTOS EM PALAVRAS DERIVADAS

XIV — DO TREMA

XV — DO HÍFEN EM COMPOSTOS, LOCUÇÕES E ENCADEAMENTOS VOCABULARES

XVI — DO HÍFEN NAS FORMAÇÕES POR PREFIXAÇÃO, RECOMPOSIÇÃO E SUFIXAÇÃO

XVII — DO HÍFEN NA ÊNCLISE, NA TMESE E COM O VERBO HAVER

XVIII — DO APÓSTROFO

XIX — DAS MINÚSCULAS E MAIÚSCULAS

XX — DA DIVISÃO SILÁBICA

XXI — DAS ASSINATURAS E FIRMA

PROTOCOLO MODIFICATIVO AO ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA

 
 
 
 
 

 




 



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