NUNO REBOCHO

Arcas encoiradas VII 

Os anos de crise: o 25 de abril

Sempre recusei estatuto de “herói”: no meu entender, se heróis houve na resistência ao fascismo, será ele o povo português, que assumiu a resistência na pele, no corpo e no espírito. Incapaz de se rebelar abertamente contra a opressão, deixou aos que viveram as prisões políticas, aos que sofreram as sevícias dos esbirros do regime, o encargo de serem apenas aqueles que, mal ou bem, tiveram maior consciência política (e tiveram, de alguma forma, oportunidades para lutar). Não significa que, após a minha saída do Forte de Peniche, não sentisse uma certa aura que se criara em meu redor – era um antifascista, um ex-presidiário! Afinal, a mesma aura que eu, antes, divisara nos que podiam reivindicar o mesmo passado.

A década que veio a seguir foi difícil, pontuada por crises ideológicas que as circunstâncias precipitaram. Hoje procuro equacionar os factos, relendo – com os olhos de hoje e sem arquitetar culpas ou desculpas – as ondas pelas quais passei e nelas esbracejei. Como já o referi, as circunstâncias permitiram que quase sempre estivesse nas cristas: fui fruto delas. Vieram ao meu encontro.

De novo nos braços da Dúlia, deveria reorganizar as condições de vida. Estivemos em casa de Acácio Barradas durante uns dias e aí me confrontei com uma esdrúxula situação: ao cabo de cinco anos de prisão, encontrava no regresso a mulher menstruada. Transferimo-nos pouco depois para um oitavo andar em prédio novo da Reboleira e o meu filho, quatro anos de idade, frequentava um jardim-escola ao Paço da Rainha: ficava com os meus sogros em sua casa, na Rua do Telhal. Procurei trabalho, retornei à Enciclopédia onde fui redator em part-time, efusivamente acolhido pelos meus antigos e novos colegas.

Tive a sorte de ser cooptado pelo “Comércio do Funchal”, o jornal cor-de-rosa. Não me recordo de como comecei esta colaboração que, desde o início, encobri com um pseudónimo não só por razões relacionadas com a censura (se escrevesse com o meu verdadeiro nome, em razão do meu passado político, seria muito mais rigorosa) mas também por estar em regime de liberdade condicional e ter que me apresentar à PIDE de quinze em quinze dias.

Das primeiras três vezes que cumpri as disposições judiciais, não houve problema. Contudo, na terceira quinzena que lá fui, um agente provocou-me e tratou-me por tu, o que seria politicamente intolerável. Irritado, retorqui: “não aceito nenhuma provocação vossa. Exijo que me tratem respeitosamente por senhor. Não sendo assim, façam o que quiserem, se necessário volto à cadeia, mas nunca mais me apresentarei à PIDE”. Por razões que desconheço, a recusa em me apresentar não teve represálias – porventura, a polícia política tinha mais em que se ocupar: os anos de 1973 e 1974 foram de numerosas prisões, muita repressão, o movimento estudantil estava em “brasa”, os grupos políticos multiplicavam-se.

Nessa altura, tinha já reatado a atividade militante clandestina. Ainda na prisão e através de Dúlia, dera a minha anuência ao recrutamento proposto pelo Comité Comunista de Portugal, CCP, que Manuel Quirós (ex-militante do CMLP regressado de Peniche onde cumprira pena) ativara juntamente com outros companheiros, inclusive a minha mulher. Dera a entender na cadeia a Francisco Martins Rodrigues a opção que me fora proposta: acertámos ser meu dever atuar para unir os grupos então dispersos e cuja orientação interessava conhecer. Mas, desde logo, as teses defendidas pelo MRPP (Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado) foram rechaçadas: condenava-lhe o radicalismo – “chutam com os dois pés ao mesmo tempo”, criticava-os. Aproximava-me das posições defendidas pelo PCP-ml (liderado por Eduíno Vilar em Paris), em cuja órbita estavam Luís Feronha, Vitor Catanho e João Marques de Almeida, todos vindos da antiga FAP e ex-reclusos de Peniche. Também do grupo “A Verdade”, uma cisão no PCP-ml, onde sabia que pairava o ex-meu companheiro no movimento estudantil, Ferraz de Abreu. E ainda do CML de P, conhecido por “Bolchevista”, liderado desde Itália por Bento Vintém. Com alguma atenção observava o grupo formado em torno de Carlos Guinote (Comité Comunista Revolucionário), com o qual – estava eu ainda preso – Dúlia mantinha contactos. Quanto à URML e ao “Grito do Povo”, cujo “massismo” criticava, eram com desconfiança seguidos à distância, conhecendo embora a atuação de alguns destacados elementos, com os quais mantinha relações.

Apesar das clandestinidades, quase toda a gente sabia onde estava onde e quem era quem, o que facilitava a atuação da repressão quando e como ela a quisesse. Era um mundo surreal o que politicamente acometeu os últimos anos do “marcelismo”: a PIDE fechava os olhos, consentindo uma situação que, aparentemente, controlava. Objetivamente, a chamada extrema-esquerda não representava perigo. Neste ínterim, cada qual tentava aperceber-se da posição por mim assumida, onde eu me enquadrava. A meu favor, jogava o facto de o CCP ser ainda mal conhecido, de não assumir abertamente um posicionamento definido e todos, cada um a seu modo, tentarem ganhar-me para o seu lado. Caricatamente, no termo de mais uma reunião da redação de Lisboa do “Comércio do Funchal”, o João Marques de Almeida pediu para falar em particular comigo – desconfiava do que se tratava. Tinha conhecimento das intrigas urdidas, sabia dos boatos lançados, das invencionices arquitetadas. Aceitei conversar com ele num café ao pé do Areeiro.

Atrapalhado, o João desbobinou que me poderia ter chegado aos ouvidos que estivera envolvido na atoarda contra mim atirada: corria o boato de que eu me ”tinha passado para a PIDE, tinha sido visto com um inspetor da polícia política num cinema em Lisboa” quando afinal estava preso no Porto. Jurava-se a infâmia a pés juntos. Resolvi ser cínico. Respondi-lhe: “Se andaste a dizer isso, não sei nem me interessa. Se não o disseste, tudo bem; se o disseste, o problema agora é teu – terás que explicar a toda a gente que isso era um boato sórdido, para justificares que andas comigo”.

Desde essa noite ficámos amigos: o João foi, durante anos, quase um alter-ego, facto que religiosamente cumpriu. As relações com Quirós iam-se desenvolvendo: aproveitei um conhecimento que tivera com um amigo de Campo de Ourique (cujo nome não me lembro) para o introduzir como redator nos “Cadernos da Maria da Fonte”. Meses depois, foi rampa de lançamento para a criação do CARP-ML (já a minha relação com o Manuel Quirós se desfizera: em reunião havida na Patameira, perto de Sobral de Monte Agraço, numa casa arrendada pelos tios da Dúlia, os responsáveis do CCP - entre os quais ela e eu - expulsámos o Quirós que se retirara da circulação depois das prisões de militantes dos CCR, dando desse modo a entender à PIDE que havia com eles algum relacionamento nosso – era um erro conspirativo). Reestruturámos o Comité e transformámo-lo em União Comunista Marxista-Leninista.

Dessa reunião saiu como ponto fulcral o conceito de “vanguarda” do movimento como motor para a construção de um partido - tese que era, a um tempo, o relembrar da antiga “Iskra” (que dera origem ao bolchevismo leninista) e a contraposição às teses “massistas” da generalidade das organizações que se afirmavam maoístas e valorizavam a máxima lassalliana: “o movimento é tudo, o objetivo é nada”. Daí emergiu o conceito de “vanguarda vermelha”, o grupo marxista espoletador, a faúlha (“iskra”, em russo). Caíamos afinal no erro dos demais – sobrevalorizávamos um aspeto em particular e afastávamo-nos do que por nós fora apresentada como preocupação fundamental: a unificação dos grupos dispersos. O sectarismo punha a cabeça de fora.  

A reestruturação do CCP e a criação da UC-ML impôs o que entendia ser necessário: a minha autocrítica. Não me pesava na consciência ter sido diretamente responsável pela prisão de ninguém aquando da minha detenção no Porto, embora durante muito tempo estivesse receoso de que, por tabela, criara condições para a prisão em Espanha da secretária-geral do seu Partido Comunista marxista-leninista (o que veio a confirmar-se que não), mas entendia que o meu comportamento nos interrogatórios não correspondia às exigências. Nas condições da década de 70, esta era uma pedra de toque. Em consequência, fiz a autocrítica à organização e criei as condições para não pertencer à sua direção, o que terá sido o começo de um distanciamento que me levaria à rotura.

No primeiro de maio de 1973, fomos almoçar em casa dos meus sogros e comemorámos o aniversário de casamento. Embora o casamento oficial, por imposição da PIDE, só se tivesse celebrado a 2 de maio, escolhemos o dia 1 para o festejar. Depois da festança, dirigimo-nos ao Rossio para apanhar o comboio para a Damaia, passando pelo largo a fim de espreitar o ambiente da manifestação para aí convocada. Quando atravessávamos a praça, fomos interpelados por polícias à paisana: “o que fazes tu aí?”. Retorqui: “de onde é que me conheces para me tratares por tu?”. Nada mais disse. De imediato, uma matilha de paisanos caiu sobre mim à bastonada. Fomos presos, levados para a esquadra da polícia nas traseiras do teatro D. Maria II onde meia dúzia de sipaios me agrediu com o punhete dos cassetetes: foi quase meia hora de feroz bordoada enquanto me exigiam, sem o conseguirem, que me silenciasse. Ao princípio da noite levaram-nos para o Governo Civil, fui enclausurado numa cela com mais uma dúzia de detidos, todos arrebanhados no Rossio… pela simples razão de estarem lá. Até foi preso um neto do ex-Presidente da República Craveiro Lopes, rapaz novo, que fora a uma loja do Rossio comprar um peixe vivo para colocar num aquário – chorava como bebé desmamado. Com o frio da noite, começaram-me a doer os vergões causados nas costas pelas bastonadas e, no chão da sala onde estávamos detidos, fiz flexões para ativar a circulação sanguínea e abrandar as dores. Todos me consideraram doido.

No dia seguinte, fomos transferidos para o Forte de Caxias. Em massa e Dúlia comigo. A filha de José Saramago, a Violante (militante acirrada do MRPP), que fora presa na manifestação, gritou à saída da carrinha que nos transportava: “protejam a cabeça com os braços para não serem agredidos”. A maioria dos presos assim fez. Mas os pides que nos aguardavam mostraram-se indiferentes à nossa chegada. Fomos guardados numa ampla sala das garagens (Caxias estava cheio) e só dois dias depois me levaram a interrogatório conduzido pelo inspetor Tinoco: “Boa tarde, está mais gordo!”, declarou ele quando me viu. Respondi-lhe: “E você está mais velho”. “Não esteja preocupado, sr. Rebocho. Isto não é como o que lhe aconteceu da outra vez. Só queremos saber o que fazia no Rossio…”. “Moramos na Reboleira. Íamos apanhar o comboio”. Felizmente, e sem o combinamos, Dúlia deu-lhe a mesma justificação. Quinze dias após fomos devolvidos à liberdade.

No dia em que nos libertaram, Tinoco chamou-nos: “Vão ser libertados. Vimos que não têm transporte, por isso a PIDE vai levá-los a casa”. “Nem pensem nisso. Entendo a vossa jogada – querem que nos vejam e nos atirem insinuações. Agradecemos, mas seguiremos pelos nossos próprios meios”. A nossa libertação, sossegou-me: ou não tinham ido vasculhar a nossa casa, ou os camaradas tinham lá ido retirar a papelada clandestina que nela havia. Se me apanhassem essa documentação, como estava em liberdade provisória, seriam mais três anos de prisão. Também me tranquilizava quanto a eventuais acusações contra Dúlia que poderiam advir das detenções dos CCR.

A minha libertação foi festejada pela rapaziada do “Comércio do Funchal”- principalmente pelo Vicente Jorge Silva que, episodicamente, viera a Lisboa -, pelos meus colegas da Enciclopédia e pelos camaradas da UC-ML. Resolvi participar queixa à Judiciária conta as agressões sofridas no Rossio. O agente da PJ que recebeu a queixa (soube depois que era um infiltrado da PIDE), referiu-me que os agressores eram “agentes da autoridade”, ao que retorqui: “se me garante que, neste país, qualquer energúmeno à paisana, que impunemente agrida um cidadão, é um agente da autoridade, até concordo. Mas ponha como afirmação sua”. O processo por mim movido nunca deu em nada. Ficavam, porém, a saber que os incomodaria enquanto pudesse.

Retomei a atividade. Sentia-me confiante. Nessa época tinha conceção puritana do trabalho militante, de certo modo em reação a leituras de Roger Vaillant: “não se entra no comunismo como quem entra num prostíbulo”, proclamava eu. Fumava desalmadamente, não bebia e começara a tomar comprimidos de Lipoperdur (para não dormir), que o Carlos Marinheiro (era delegado de propaganda médica) entretanto me arranjara. Estava dois e três dias sem ir à cama, lia e escrevia, participava em reuniões. E estava profundamente apaixonado.

Em 1974, nasceu a nossa segunda filha. Quisemos chamar-lhe Liberta - estávamos convencidos, tendo em conta o rumo que as coisas tomavam, que a sua geração já se veria aliviada da opressão fascista. Fomos registá-la e tivemos a surpresa de os Serviços recusarem o nome. Ironizei: “Pretendem então que, em Portugal, não podem ser libertas? Talvez se enganem…”. Era assim o ambiente vivido durante o regime ditatorial – até para registar o nome de uma criança havia censura (o mesmo acontecera com o meu registo: era para me chamar Nelson, ao encontro da tradição britânica da família. Negaram o propósito “porque era um nome inglês”). Na emergência, perguntei a Ernesto como iria chamar-se a irmã. Foi ele quem lhe deu o nome de Susana.

Saíram entretanto da cadeia, em Caxias, os detidos do grupo “O Comunista” (Joffre Justino e José Mário). Decidimos ir a sua casa em Santo António dos Cavaleiros e apalpar o terreno, tentar saber da sua disposição. Chegara também a Lisboa, vindo de Moscovo com passagem por Cuba, um velho exilado, figura mítica da luta comunista – o Chico da CUF (Francisco Ferreira). Fora, durante anos, a voz do PC na clandestina emissora “Portugal Livre”. Rompera estrondosamente com os cunhalistas, que veementemente acusava. Ultrapassando receios, resolvi ir a sua casa, em Rio de Mouro. Continuava interessado em conhecer minúcias das histórias da clandestinidade.

Já Dúlia se empregara como revisora do jornal “República”. A célebre greve da fábrica de limas de Vieira de Leiria (Tomé Feteira) despertou-nos a atenção e fomos até lá. Com o nome de Luísa Pimentel, ela preparava um texto para o “Comércio do Funchal” e, quanto a mim, servia-me do pretexto de a acompanhar para arrebanhar contactos na fábrica – era o “trabalho” partidário em ação. Fomos com um camarada da direção do Sindicato dos Técnicos de Desenho que igualmente militava na UC. Dúlia levou ao colo a nossa filha Susana, recém-nascida. Embora estivesse sujeito a medidas de segurança que oficialmente me impediam de sair de Lisboa, nesse momento já eu desafiava quase abertamente as interdições da PIDE. À noite, no regresso para a capital, cruzámo-nos na estrada com a coluna militar que fez o fracassado levantamento das Caldas da Rainha. Era o 16 de março de 1974.

Soube depois que, em reportagem para “O Século”, o Carreira Bom acompanhara esse movimento putchista. Depois do 25 de abril, participei, em casa do meu amigo capitão António Ramos (que participou no golpe), numa reunião com outros oficiais que vieram na coluna e, em consequência, foram presos no Forte da Trafaria – Manuel Monge, Casanova Ferreira e outros – para discutir porque o golpe falhara: a “conspirativite” levava-os a deduzir que houvera “casca de banana” atirada pelos radicais do Movimento dos Capitães a fim de aniquilar a ala que, depois, se denominou “spinolista”. Teria havido compromisso de que outras unidades os seguiriam, o que não aconteceu – todos ficaram a ver. Nessa convicção, o regimento saiu em direção à capital. Na reunião no Alto de Algés, fazia-se finca-pé nesta alegação. Foi, todavia, uma leitura que nunca encontrou pernas para andar, embora nunca a tivesse totalmente descartado.   

Mudáramos da Reboleira para uma velha casa cedida por uma tia de Dúlia na Rua dos Barbadinhos, à Graça, mesmo nas traseiras do Quartel de Sapadores. Colegas da Dúlia, tipógrafos do “República” (Caldeira, Joaquim Dias, Valente…) visitavam a nossa casa. Tinham em comum o terem sido militantes comunistas, passado pelas prisões do regime e identificavam-se de algum modo com as nossas ideias. Daí até ser criada uma célula partidária de tipógrafos foi um passo. Na altura, procurava também organizar células clandestinas entre trabalhadores bancários, ourives e técnicos de desenho.

Caldeira vinha algumas vezes jantar a nossa casa para comer umas “funchalinas” (como ele lhes chamava). Eu aproveitava o emprego de Dúlia para contactar os “velhos” resistentes que ali trabalhavam: na sua revisão, estava uma lenda do anarquismo português, Francisco Quintal, com quem gostava de conversar e recolher histórias dos movimentos tendentes a derrubar a ditadura salazarista. Havia também outro anarquista (de cujo nome não me recordo), casado com uma basca – combatera na Guerra Civil de Espanha. Aprisionado pelos franquistas, cortou a língua para não falar nos interrogatórios dos fascistas.

Na redação do “República” ia também fazendo conhecimentos: Mesquita Machado, Maia Cadete, Vítor Direito, Álvaro Guerra… Raul Rego, então diretor do jornal, nada representava (nem representou) para mim: apenas tinha nome, integrava o que definia como “jarrões do republicanismo”, com fama de oposicionistas, mas que serviam para dificultar a luta para subverter o regime. Na prática, eram ferozes anticomunistas, o que para mim era então crime.

Na noite de 24 de abril de 1974, jantámos em nossa casa e estivemos a conversar com o Fradique Caldeira até altas horas da noite. Estávamos animados com uns panfletos do chamado “Movimento dos Capitães” que nos chegaram às mãos através do “República”. Fomos deitar-nos tranquilos. Por volta das cinco da manhã do dia 25, despertámos com o toque do telefone. Era o Caldeira, lacónico: “Urgente. Oiçam o Rádio Clube Português”. E desligou. Acendemos o aparelho de telefonia: era o esperado golpe de Estado. A revolução estava na rua.

Nuno Rebocho

 
 
 
 
Nuno Rebocho - Nascido em 1945, em Queluz (Portugal), viveu em Moçambique desde os três meses de idade até 1962. Jornalista, poeta e andarilho – bastou-lhe ter estado preso por cinco anos na Cadeia do Forte de Peniche (por cinco anos, motivos políticos), para recusar ser animal sedentário. Viveu a imprensa regional (Notícias da Amadora, Jornal de Sintra, Aponte, A Nossa Terra, Jornal da Costa do Sol, Comércio do Funchal, entre outros), foi redactor da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, das revistas O Tempo e O Modo e Vida Mundial, em diferentes diários e semanários, e é chefe de redacção da Antena 2 da RDP. Colaborador de Acontece en Sorocaba (Brasil) e Liberal (Cabo Verde). Autor de “Breviário de João Crisóstomo”, “Uagudugu”, “Memórias de Paisagem”, “Invasão do Corpo”, “Manifesto (Pu)lítico”, “Santo Apollinaire, meu santo”, “A Nau da India”, “A Arte de Matar”, “Cantos Cantábricos”, “Poemas do Calendário”, “Manual de Boas Maneiras”, “A Arte das Putas” (poesia), “Estórias de Gente” (crónicas), “O 18 de Janeiro de 1934”, “A Frente Popular Antifascista em Portugal”, “A Companhia dos Braçais do Bacalhau” (investigação histórica), está representado em diversas antologias e colectâneas em Portugal, Espanha e Brasil. Tem colaborado em catálogos para exposições de artes plásticas: Ramón Catalan, Deolinda, Carlos Eirão, Alfredo Luz, Edgardo Xavier, João Alfaro, Maria José Vieira, Ricardo Gigante, Ana Horta, Isabel Teixeira de Sousa, Nuno Medeiros, Viana Baptista, Teresa Ribeiro, Rico Sequeira, João Ribeiro, José Manuel Man... Comissariou a Bienal do Mediterrâneo, Dubrovnik (Croácia), em 1999.

 

 
 

 

 




 



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