NICOLAU SAIÃO

Uma luz ao fundo do túnel

  De acordo com fontes bem informadas e que têm estado a dar sinal do sucedido, os noticiários, a partir das 8 horas da manhã de ontem, registaram um número record de ouvintes.

  Ou seja, as pessoas têm estado muito atentas ao que tem sido noticiado.

  É natural, até, que o confrade seja uma dessas pessoas.

  Mas o que se tem estado a passar?

  É simples: por investigação dum dos "periódicos de combate", que já por diversas vezes meteu pauzinhos na engrenagem dos bafientos salões do quotidiano nacional que muitos têm querido rebaixar ainda mais, veio a lume com soma de pormenores que o sr. dr. Duarte Lima - ornamento brilhante da nossa casta de homens públicos e um dos mais recentes e notáveis "pensionistas" dos calabouços da Polícia Judiciária - parece ter "dado com a língua nos dentes" como diz a expressão popular e o resultado começou a aparecer: já foram detidos diversos cavalheiros (e aparenta que mais poderão ir dentro eventualmente...) na sequencia da descoberta de uma das maiores (sic) redes crapulosas de "fuga ao fisco", “manipulação de capitais" e outras amenidades em que sectores argentários relapsos são peritos.

  De acordo com os observadores, tal facto está a causar certas ondas de choque pois muito boa gente, até então "pura como a neve", estará implicada na marosca - e corre mesmo que muitos outros, ainda indetectados, estarão de "calças na mão" à espera da possível pancada que em sociedades civilizadas é de uso atingi-los no cachaço.

   Como referi anteriormente, as coisas começam a suceder...

   É preciso que nós, portugueses de bem, "sejamos persistentes", como sói dizer-se. É necessário, através dos mídias, exigirmos o que é de direito: que o Sistema Judicial não consinta que se abafe nem deixe esfumar-se a possibilidade de se fazer uma limpeza nos díscolos que têm pouco a pouco destruído o imaginário colectivo e societário nacional. Cabe-nos deixar uma nação melhor aos vindouros, iluminando ao mesmo tempo o quotidiano.

  Os "chefes da banda" têm de ir para  o lugar que é próprio nestes casos, não por vingança mas por Justiça.

  Durante demasiado tempo, entremeado por golpes adequados (criação de bodes expiatórios para distrair as atenções, manobras de intimidação para calar os mais afoitos e incorruptíveis, uso de associações para perpetrarem golpes criminais, etc. ) os "quadrilheiros camuflados" que tanto nos têm prejudicado têm conseguido escapar impunes - o que o Sistema Judicial, se acaso ainda vivemos em país de Direito, não pode permitir sob pena de "complacência" para com sujeitos mais que situados.

   O tempo é de perigo decorrente da Crise, mas também de “videirinhos” que, nos últimos tempos, não se têm furtado a pedir insistentemente sedição, senão mesmo golpe de Estado, em suma: desgraça nas ruas para o Povo Português.

   Não será isso que a Nação e todos nós precisamos. O que faz falta é Justiça, hombridade e respeito pelos direitos humanos da população portuguesa.

  ns 

 

 

Nicolau Saião – Monforte do Alentejo (Portalegre) 1946. É poeta, publicista, actor-declamador e artista plástico.  

Participou em mostras de Arte Postal em países como Espanha, França, Itália, Polónia, Brasil, Canadá, Estados Unidos e Austrália, além de ter exposto individual e colectivamente em lugares como Lisboa, Paris, Porto, Badajoz, Cáceres, Estremoz, Figueira da Foz, Almada, Tiblissi, Sevilha, etc.   

Em 1992 a Associação Portuguesa de Escritores atribuiu o prémio Revelação/Poesia ao seu livro “Os objectos inquietantes”. Autor ainda de “Assembleia geral” (1990), “Passagem de nível”, teatro (1992), “Flauta de Pan” (1998), “Os olhares perdidos” (2001), “O desejo dança na poeira do tempo”, “Escrita e o seu contrário” (a sair).    

No Brasil foi editada em finais de 2006 uma antologia da sua obra poética e plástica (“Olhares perdidos”) organizada por Floriano Martins para a Ed. Escrituras. Pela mão de António Cabrita saiu em Moçambique (2008), “O armário de Midas”, estando para sair “Poemas dos quatro cantos”(antologia).       

Fez para a “Black Sun Editores” a primeira tradução mundial integral de “Os fungos de Yuggoth” de H.P.Lovecraft (2002), que anotou, prefaciou e ilustrou, o mesmo se dando com o livro do poeta brasileiro Renato Suttana “Bichos” (2005).  

Organizou, coordenou e prefaciou a antologia internacional “Poetas na surrealidade em Estremoz” (2007) e co-organizou/prefaciou ”Na Liberdade – poemas sobre o 25 de Abril”. 

Tem colaborado em  espaços culturais de vários países: “DiVersos” (Bruxelas/Porto), “Albatroz” (Paris), “Os arquivos de Renato Suttana”, “Agulha”, Cronópios, “Jornal de Poesia”, “António Miranda” (Brasil), Mele (Honolulu), “Bicicleta”, “Espacio/Espaço Escrito (Badajoz), “Bíblia”, “Saudade”, “Callipolle”, “La Lupe”(Argentina) “A cidade”, “Petrínea”, “Sílex”, “Colóquio Letras”, “Velocipédica Fundação”, “Jornal de Poetas e Trovadores”, “A Xanela” (Betanzos), “Revista 365”, “Laboratório de poéticas” (Brasil), “Revista Decires” (Argentina), “Botella del Náufrago”(Chile)...  

Prefaciou os livros “O pirata Zig-Zag” de Manuel de Almeida e Sousa, “Fora de portas” de Carlos Garcia de Castro, “Mansões abandonadas” de José do Carmo Francisco (Editorial Escrituras), “Estravagários” de Nuno Rebocho e “Chão de Papel” de Maria Estela Guedes (Apenas Livros Editora). 

Nos anos 90 orientou e dirigiu o suplemento literário “Miradouro”, saído no “Notícias de Elvas”. Co-coordenou “Fanal”, suplemento cultural publicado mensalmente no semanário alentejano ”O Distrito de Portalegre”, de Março de 2000 a Julho de 2003. 

Organizou, com Mário Cesariny e C. Martins, a exposição “O Fantástico e o Maravilhoso” (1984) e, com João Garção, a mostra de mail art “O futebol” (1995).  

Concebeu, realizou e apresentou o programa radiofónico “Mapa de Viagens”, na Rádio Portalegre (36 emissões) e está representado em antologias de poesia e pintura. O cantor espanhol Miguel Naharro incluiu-o no álbum “Canciones lusitanas”.  

Até se aposentar em 2005, foi durante 14 anos o responsável pelo Centro de Estudos José Régio, na dependência do município de Portalegre.  

É membro honorário da Confraria dos Vinhos de Felgueiras. Em 1992 o município da sua terra natal atribuiu-lhe o galardão de Cidadão Honorário e, em 2001, a cidade de Portalegre comemorou os seus 30 anos de actividade cívica e cultural outorgando-lhe a medalha de prata de Mérito Municipal.

 

 

 

 


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