NICOLAU SAIÃO

Isto o mundo anda todo maluco!

  Dizem dizem e se calhar é verdade. Um gajo até já nem sabe o que é que há-de pensar. Fica-se meio azabumbado...como se andassem a gozar co'a malta, carago! 

  Então não é que ontem me chegaram notícias que me deixam assim...meio camoesas? Um bocado encabulado, não sei se me entendem. O facto é que um marmelo me mandou a prova do delito, como diria um qualquer chefe duma qualquer força policiesca, e então é assim: um exemplar em A4 dactilografado cá pelo mangas do meu "Residencia Fixa"(que arrola o Fábrica Nocturna e o Poemas Breves), com a capa, ilustrada, também por mim feitinha manualmente e com prefácio do Mário Cesariny, está a atingir  alfarrabística e interactivamente o preço de venda de 500 Eur!

   Mas há mais… Artistas do caneco!

   De França (uma terra de incréus e de valdevinos!) escrevem-me a contar que a tapeçaria executada por Noelle Reynaud sobre o meu cartão "África" (aqui dado à vista), atingiu no leilão da Galerie du Parc o montante de 38 mil Eur e houve um palerma que o adquiriu! (Enganámo-lo bem, o frascário...).

  Para tornar o caso ainda pior, o que mostra que não é só o ministro Gaspar que anda meio-choné com as Phinanças, os exemplares de que anos atrás, para me divertir e depois de ter empolgado uns uísques, fiz as capas (exemplares únicos), ou sejam "O violino do Diabo", de Perez Escrich; o "Nero", de Augusto Bailly e o "Abdul Hamid, o sultão vermelho", de Alma Wittlin, tinham sido comprados por um bisnau qualquer por, respectivamente, 460, 350 e 320 Eur... 

  Foram decerto burgueses de letras grossas os desastrados compradores. Ah caraças, que é um gosto aldrubiar assim a burguesada...! 

  ...E também, rai's me partam, infirmar um político relativamente bastante conhecido, meu comparsa alentejano nos tempos post-25 de Abril em que andei na militancia da época, que para me xingar tempos atrás me dizia com um ricto honesto no trombil:"Ainda andas nisso das pinturas e escritas? Mas olha ó pá, olha qu'isso não dá dinheiro...!".

   Sim. Não dará tanto como um bancozito, uma asessoriazita. Mas sempre vai dando algum, cafolhos me radem! 

   ns

 

 
 
 

Nicolau Saião – Monforte do Alentejo (Portalegre) 1946. É poeta, publicista, actor-declamador e artista plástico.  

Participou em mostras de Arte Postal em países como Espanha, França, Itália, Polónia, Brasil, Canadá, Estados Unidos e Austrália, além de ter exposto individual e colectivamente em lugares como Lisboa, Paris, Porto, Badajoz, Cáceres, Estremoz, Figueira da Foz, Almada, Tiblissi, Sevilha, etc.   

Em 1992 a Associação Portuguesa de Escritores atribuiu o prémio Revelação/Poesia ao seu livro “Os objectos inquietantes”. Autor ainda de “Assembleia geral” (1990), “Passagem de nível”, teatro (1992), “Flauta de Pan” (1998), “Os olhares perdidos” (2001), “O desejo dança na poeira do tempo”, “Escrita e o seu contrário” (a sair).    

No Brasil foi editada em finais de 2006 uma antologia da sua obra poética e plástica (“Olhares perdidos”) organizada por Floriano Martins para a Ed. Escrituras. Pela mão de António Cabrita saiu em Moçambique (2008), “O armário de Midas”, estando para sair “Poemas dos quatro cantos”(antologia).       

Fez para a “Black Sun Editores” a primeira tradução mundial integral de “Os fungos de Yuggoth” de H.P.Lovecraft (2002), que anotou, prefaciou e ilustrou, o mesmo se dando com o livro do poeta brasileiro Renato Suttana “Bichos” (2005).  

Organizou, coordenou e prefaciou a antologia internacional “Poetas na surrealidade em Estremoz” (2007) e co-organizou/prefaciou ”Na Liberdade – poemas sobre o 25 de Abril”. 

Tem colaborado em  espaços culturais de vários países: “DiVersos” (Bruxelas/Porto), “Albatroz” (Paris), “Os arquivos de Renato Suttana”, “Agulha”, Cronópios, “Jornal de Poesia”, “António Miranda” (Brasil), Mele (Honolulu), “Bicicleta”, “Espacio/Espaço Escrito (Badajoz), “Bíblia”, “Saudade”, “Callipolle”, “La Lupe”(Argentina) “A cidade”, “Petrínea”, “Sílex”, “Colóquio Letras”, “Velocipédica Fundação”, “Jornal de Poetas e Trovadores”, “A Xanela” (Betanzos), “Revista 365”, “Laboratório de poéticas” (Brasil), “Revista Decires” (Argentina), “Botella del Náufrago”(Chile)...  

Prefaciou os livros “O pirata Zig-Zag” de Manuel de Almeida e Sousa, “Fora de portas” de Carlos Garcia de Castro, “Mansões abandonadas” de José do Carmo Francisco (Editorial Escrituras), “Estravagários” de Nuno Rebocho e “Chão de Papel” de Maria Estela Guedes (Apenas Livros Editora). 

Nos anos 90 orientou e dirigiu o suplemento literário “Miradouro”, saído no “Notícias de Elvas”. Co-coordenou “Fanal”, suplemento cultural publicado mensalmente no semanário alentejano ”O Distrito de Portalegre”, de Março de 2000 a Julho de 2003. 

Organizou, com Mário Cesariny e C. Martins, a exposição “O Fantástico e o Maravilhoso” (1984) e, com João Garção, a mostra de mail art “O futebol” (1995).  

Concebeu, realizou e apresentou o programa radiofónico “Mapa de Viagens”, na Rádio Portalegre (36 emissões) e está representado em antologias de poesia e pintura. O cantor espanhol Miguel Naharro incluiu-o no álbum “Canciones lusitanas”.  

Até se aposentar em 2005, foi durante 14 anos o responsável pelo Centro de Estudos José Régio, na dependência do município de Portalegre.  

É membro honorário da Confraria dos Vinhos de Felgueiras. Em 1992 o município da sua terra natal atribuiu-lhe o galardão de Cidadão Honorário e, em 2001, a cidade de Portalegre comemorou os seus 30 anos de actividade cívica e cultural outorgando-lhe a medalha de prata de Mérito Municipal.

 

 

 

 


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