Nova Série

 
 

 

 

 

 

 

NICOLAU SAIÃO
A resignação do Papa 

   Caíu como uma bomba (ou como um raio sobre a cúpula de São Pedro em Roma…) a notícia, difundida pelos serviços próprios do Vaticano, da resignação ao cargo de Papa do antigo cardeal Joseph Ratzinger, actual chefe do Estado do Vaticano e pontifex maximus.

   Que, após concretizar-se a sua saída do mais alto cargo daquela pequena Nação, cidade-estado com ramificações no mundo inteiro, entrará num mosteiro para repousar devido à sua provecta idade.

   Paralelamente a este súbito anúncio recebido com surpresa, por um lado, mas também com espanto em diversos casos e, noutros, com inquietação (o que teria na verdade sucedido para esta súbita renúncia, muitos se questionaram) os serviços de informação (contra-informação, segundo alguns) vaticanista, seguidos pela generalidade dos sectores católicos subsidiários à Organização Católica, entraram em competente e forte actividade, como é aliás seu apanágio. Os serviços do Vaticano, estes ou os que decorrem da Sodalitium Pianum, são proverbialmente muito competentes, quiçá dos melhores do Mundo.

  Assim, a primeira ideia que de acordo com observadores têm procurado instilar nos cérebros e nas consciências dos seus crentes e na opinião pública em geral, é a de que a sua resignação teria anexa uma grande coragem, seja de ordem intelectual seja de ordem pessoal. Seria, segundo esses serviços de informação psico-sociológica, a demonstração de uma grande qualidade humana e eclesial, amparada por uma firmeza ética de alto gabarito e por uma força mental de extrema lucidez.

  É a acção que, em geral, em todos os quadrantes e em todo o mundo se efectua quando alguém sai de cena sem ser por evicção dolorosa. Ou seja, sais mas em beleza…és um belo cidadão e mereces aplausos, vai pois descansar…

   A segunda ideia seria esta: de que Bento XVI resignava por ter percebido que as forças para comandar os difíceis e exigentes serviços dum Estado que é de duas ordens, a civil e a espiritual (de evangelização sistematizada, digamos) lhe estariam a faltar. Alquebrado, o pontifex maximus teria optado pelo abandono vigiado, ainda em lucidez, antes que fosse tarde demais…

   O Vaticano disse e nós todos, como bons ouvintes que somos, gente de boa fá e normalmente crédulos, aceitamos esta explicação. E porque não?

   Com efeito – conforme o conhecimento da leitura da História nos faculta – seria pelo menos estultícia estar-se neste momento a congeminar cenários diferentes do que nos é proposto desvelada e interessadamente.

 

   O tempo futuro o dirá. E, habitualmente, costuma falar com força e muita adequação!

   Uma coisa, pelo menos, nos tranquiliza e ilumina: é que Bento XVI, Joseph Ratzinger,  não abandonou a cena da mesma forma em que João Paulo !, Albino Luciani, teve de a abandonar…

   E isso, quer o queiramos quer não, é já um índice de progresso – por um lado – e de que algo mudou definitivamente para os lados de Roma e da Praça de São Pedro.

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Nicolau Saião – Monforte do Alentejo (Portalegre) 1946. É poeta, publicista, actor-declamador e artista plástico.  

Participou em mostras de Arte Postal em países como Espanha, França, Itália, Polónia, Brasil, Canadá, Estados Unidos e Austrália, além de ter exposto individual e colectivamente em lugares como Lisboa, Paris, Porto, Badajoz, Cáceres, Estremoz, Figueira da Foz, Almada, Tiblissi, Sevilha, etc.   

Em 1992 a Associação Portuguesa de Escritores atribuiu o prémio Revelação/Poesia ao seu livro “Os objectos inquietantes”. Autor ainda de “Assembleia geral” (1990), “Passagem de nível”, teatro (1992), “Flauta de Pan” (1998), “Os olhares perdidos” (2001), “O desejo dança na poeira do tempo”, “Escrita e o seu contrário” (a sair).    

No Brasil foi editada em finais de 2006 uma antologia da sua obra poética e plástica (“Olhares perdidos”) organizada por Floriano Martins para a Ed. Escrituras. Pela mão de António Cabrita saiu em Moçambique (2008), “O armário de Midas”, estando para sair “Poemas dos quatro cantos”(antologia).       

Fez para a “Black Sun Editores” a primeira tradução mundial integral de “Os fungos de Yuggoth” de H.P.Lovecraft (2002), que anotou, prefaciou e ilustrou, o mesmo se dando com o livro do poeta brasileiro Renato Suttana “Bichos” (2005).  

Organizou, coordenou e prefaciou a antologia internacional “Poetas na surrealidade em Estremoz” (2007) e co-organizou/prefaciou ”Na Liberdade – poemas sobre o 25 de Abril”. 

Tem colaborado em  espaços culturais de vários países: “DiVersos” (Bruxelas/Porto), “Albatroz” (Paris), “Os arquivos de Renato Suttana”, “Agulha”, Cronópios, “Jornal de Poesia”, “António Miranda” (Brasil), Mele (Honolulu), “Bicicleta”, “Espacio/Espaço Escrito (Badajoz), “Bíblia”, “Saudade”, “Callipolle”, “La Lupe”(Argentina) “A cidade”, “Petrínea”, “Sílex”, “Colóquio Letras”, “Velocipédica Fundação”, “Jornal de Poetas e Trovadores”, “A Xanela” (Betanzos), “Revista 365”, “Laboratório de poéticas”(Brasil), “Revista Decires” (Argentina), “Botella del Náufrago”(Chile)...  

Prefaciou os livros “O pirata Zig-Zag” de Manuel de Almeida e Sousa, “Fora de portas” de Carlos Garcia de Castro, “Mansões abandonadas” de José do Carmo Francisco (Editorial Escrituras), “Estravagários” de Nuno Rebocho e “Chão de Papel” de Maria Estela Guedes (Apenas Livros Editora). 

Nos anos 90 orientou e dirigiu o suplemento literário “Miradouro”, saído no “Notícias de Elvas”. Co-coordenou “Fanal”, suplemento cultural publicado mensalmente no semanário alentejano ”O Distrito de Portalegre”, de Março de 2000 a Julho de 2003. 

Organizou, com Mário Cesariny e C. Martins, a exposição “O Fantástico e o Maravilhoso” (1984) e, com João Garção, a mostra de mail art “O futebol” (1995).  

Concebeu, realizou e apresentou o programa radiofónico “Mapa de Viagens”, na Rádio Portalegre (36 emissões) e está representado em antologias de poesia e pintura. O cantor espanhol Miguel Naharro incluiu-o no álbum “Canciones lusitanas”.  

Até se aposentar em 2005, foi durante 14 anos o responsável pelo Centro de Estudos José Régio, na dependência do município de Portalegre.  

É membro honorário da Confraria dos Vinhos de Felgueiras. Em 1992 o município da sua terra natal atribuiu-lhe o galardão de Cidadão Honorário e, em 2001, a cidade de Portalegre comemorou os seus 30 anos de actividade cívica e cultural outorgando-lhe a medalha de prata de Mérito Municipal.

Blog : Ablogando, em: http://ab-logando.blogspot.pt/

 
 
 

 

 

 




 



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